eduardo oliveira e lucas miolla

\\ gritante

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os Gatunos de Wall Street

É, meus amigos e minhas amigas. O Luís Inácio vai ter que rebolar, assim como na obra prima musical de Sandy e Junior. A coisa está feia.
O mundo parecia reviver a pax romana no aspecto financeiro quando fomos surpreendidos por uma série de decepções e desilusões com o mercado. A incerteza tomou conta do investidor, a descapitalização deixa o empreendedor inerte e na ausência de uma queda de braço, todo o mundo paga por uma conta que não é sua.

A realidade que paira sobre o mercado de ações é tal que as quedas dos índices das principais bolsas chegam a ângulos agudos nos gráficos. Nova York, Nasdaq e Londres esperam o dia começar no Japão. E quando isso acontece de forma cinza, a tendência é irreversivelmente negativa. Os bancos centrais se contorcem em manobras, mas não conseguem mais do que espernear teatralmente. Só mesmo os bancos... O cirque de Soleil não aguenta até 2010 se houver recessão.

Pode parecer que esse universo é uma transcendência, um Olimpo, mas até que ponto esses números vermelhos que circulam por Wall Street vão interferir nas nossas vidas, cidadãos simples, proletariado, é o que nos faz entender a necessidade de compreender a recessão. Esse inferno astral nas bolsas é um inferno também para as bolsas e os bolsos de todas as pessoas.

A instabilidade do mercado, hoje provocada por um verdadeiro calote por parte dos americanos, é recorrente de uma concessão cega e irresponsável. Os bancos que liberaram crédito sem restrição estão diante de maus pagadores. E estão nas mãos dos caloteiros. O seu pedido de socorro não foi ignorado, mas foi inevitável o repasse desse baque à credibilidade das ações. A partir daí, cresce a bola de neve. O investidor não confia na empresa, não aplica, logo, a empresa não cresce, e se não cresce, pára. Negócios são desfeitos, acordos quase legítimos são abortados. O espetáculo da economia deixa de acontecer. Com isso, perdemos nossos direitos sociais: empregos, saúde e educação ficam defasados. Ao negar um presente ao filho, deixamos de comprar produtos importados por causa da alta do Dólar, e o mercado mais uma vez perde uma engrenagem. O vendedor que trabalha com Dólares deixa de trabalhar, e quando nos damos conta, financiamos parte da recessão, mas levamos toda a culpa. É de se entender. Aquele que tem dinheiro está recorrendo a métodos arcaicos para protegê-lo, como o velho fundo falso de colchão – e isso é um suicídio financeiro.

O show não pode parar. Uma vez que a crise cairá sobre o colo da prole e a castigará iminentemente, cabe a prole, então, evitar o seu apocalipse recessivo. Se queremos manter nossos empregos, investir em negócios ousados e apostar em talentos, precisamos manter a máquina econômica ativa. Não se pode parar de comprar ações, para que estas ganhem valor sólido; para o consumidor comum, não se pode parar de comprar. Isso dá as empresas o retorno do investimento, justificando a aplicação nas ações. E garante o emprego de quem compra. Esse ciclo torna toda a sociedade funcional, garantindo desde um bem de consumo a tranqüilidade de um plano de saúde.

Nova York está longe e em nada se assemelha com a realidade folhetinesca brasileira (leia-se Eloá), mas é ignorância mudar de canal quando o âncora menciona a queda de dois dígitos em um determinado índice. Da compra de um alimento até o ingresso numa sociedade, somos diretamente responsáveis pela economia. E não é recomendável se abster desse nicho, guardando o dinheiro embaixo do colchão. A instabilidade pode dizer o contrário, mas o mercado ainda é o lugar mais seguro para se investir. É de dinheiro que o mercado é feito, e é assim que devemos nutri-lo.

Lucas Miolla //